quarta-feira, junho 20, 2007

Cultura em Portugal



Precisamos mesmo de algum mecenato na cultura e na museologia (talvez até a intervenção divina...), para ver se a actual situação de desvalorização do património museológico nacional se inverte. Não é apenas pelo “descuido” a que os Museus se encontram vetados, porque posso assegurar-vos que pelas Autarquias deste país há uma enorme vontade de promover e dinamizar os museus, o problema é o mesmo de sempre: falta de pessoal qualificado (porque há museus onde a boa vontade do porteiro se junta à do cantoneiro e há do/a responsável (com habilitações para tal) para se realizarem coisas tão “cruciais” como inventários de arte), falta de verbas e pouca ou nenhuma divulgação. Seria de esperar que dentro dos limites de um concelho as Autarquias se juntassem e promovessem os seus museus, o seu património arquitectónico e cultural, a sua gastronomia, mas as diferentes cores partidárias acabam com toda e qualquer possibilidade de cooperação ou entendimento. Muitas vezes é praticamente impossível motivar as pessoas a visitar os Museus porque os cartazes e as exposições não são divulgados ou não o fazem como “deve ser”. Há exposições sem qualquer interesse, outras cujo “alvo” é quase nulo excepto para algumas micro parcelas profissionais da sociedade. Quanto agrada a todos (interesse comum) como foi o caso da exposição de Amadeu de Sousa Cardoso, ou mesmo da “mostra” de cadáveres que decorre neste momento em Lisboa, as pessoas vão (também conta o factor não estar ali para sempre… Eu sei). Não somo propriamente uma nação de ímpetos culturais fervorosos, nem mesmo fazemos um esforço para isso. Também não temos culpa de viverem a tentar convencer-nos a assistir ao “Teatro Revista” feito à moda do século passado (parado no tempo) ou, de nos bombardearem com filmes cujos subsídios caríssimos justificados pela escolha de um qualquer intelectual cuja disponibilidade e gosto são totalmente diferentes da “populaça em geral”… Mais uma vez posso lembrar os exemplos de alguns filmes “jeitosos” que acabam por ter sucesso no cinema, como o Crime do Padre Amaro ou o Mistério da Estrada de Sintra. É certo que por trás temos o texto de Eça de Queirós, mas poderíamos ter Saramago ou Sttau Monteiro; por exemplo. Enquanto as coisas se fizerem para as minorias e não para toda a gente, o problema subsiste.

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